Cáritas Brasileira Regional Maranhão e Rede Mandioca celebraram parceria com a Cemar, com apoio através de edital

TEXTO: ZEMA RIBEIRO
FOTOS: ELSON PAIVA

A Cáritas Brasileira Regional Maranhão e a Rede Mandioca fecharam ontem (12) mais uma parceria para o fortalecimento de suas ações: a Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através de projeto aprovado em edital ano passado, entregou diversos equipamentos – televisor, datashow, freezer, cafeteira, laptops – e um veículo Chevrolet S10, além de 10 forrageiras e 10 seladoras, estes para uso de grupos filiados à rede.

A solenidade de entrega aconteceu no auditório Manoel da Conceição, na sede da Cáritas. O espaço integra o Centro de Referência em Comercialização de Produtos da Agricultura Familiar no Maranhão, formado ainda pela Biblioteca Dom Xavier Gilles e pela Quitanda Rede Mandioca, todos localizados na Rua do Alecrim, 343, Centro.

O momento marcou o encerramento do Curso Estadual de Verticalização da Produção, promovido pela Rede Mandioca e oferecido a representantes de grupos e comunidades filiados. Da formação e do ato solene participaram mais de 30 pessoas, oriundas dos municípios de Amarante, Bacabal, Balsas, Caxias, Codó, Imperatriz, Lago da Pedra, Nina Rodrigues, São Bernardo, São Luís e Vargem Grande. “Uma pequena amostra da área de atuação da Rede Mandioca”, alertou Lucineth Cordeiro, assessora de Desenvolvimento Solidário, Sustentável e Territorial da Cáritas, frisando a presença da articulação em mais de 30 municípios, em todas as regiões do estado.

Da Cemar estiveram presentes Jeane Pires, analista de Responsabilidade Social, Cláudia Guimarães, Janaína Sousa e Carlos Hubert, da Gerência de Comunicação e Marketing. “Rede pressupõe elo, corrente. Tudo o que é em rede é mais forte. É preciso articular para que esta rede seja sempre de cooperação. Estamos muito felizes em apoiar este projeto”, afirmou o gerente.

“É importante acessarmos estes recursos, de natureza pública, por um instrumento democratizante, que é o edital. O sonho de construir a Rede [Mandioca] já tem um tempo, desde 2004. Muita gente riu ironicamente de nossa cara, mas nós percebemos que a cultura da mandioca está muito presente nas atividades agrícolas do Maranhão. Tínhamos a maior área plantada, mas a pior produtividade. Hoje trabalhamos para mudar esta realidade, sem incentivar, no entanto, a monocultura, resgatando a autoestima dos produtores de mandioca. Eu até gosto de dizer, alterando o dito popular: “sonho que se sonha só é só um sonho; mas sonho que se sonha junto pode alterar a realidade””, afirmou Ricarte Almeida Santos, secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional Maranhão.

Ele lembrou ainda que já há diversos grupos filiados à Rede Mandioca acessando programas governamentais como os federais Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além de outros que fornecem para restaurantes e prefeituras, diversificando a produção e as oportunidades.

Um dos maiores desafios para a agricultura familiar, no Brasil, hoje, é a permanência do jovem no campo. José Filho, agricultor de São Raimundo das Mangabeiras, membro da Cáritas Diocesana de Balsas, revela ter se apaixonado pela agricultura em cursos de que participou, realizados pelo Centru [o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural] de Imperatriz, fundado pelo líder camponês Manoel da Conceição. “Inclusive é uma honra participar deste evento, no auditório que leva o nome do fundador do Centru”, emocionou-se. E prosseguiu: “de lá para cá estou sempre buscando mais conhecimentos acerca das estruturas de fortalecimento da agricultura familiar. A Cáritas tem feito um ótimo trabalho, com diversas parcerias, além da Cemar, com a Fundação Banco do Brasil e o Banco do Nordeste, entre outras, visando a melhoria da qualidade de vida dos agricultores”.

“Quando começamos não tínhamos a dimensão de onde chegaríamos. Hoje estamos em mais de 30 municípios, já foram construídas mais de 22 casas de farinha, existem Centros de Referência em Lago da Pedra e Vargem Grande, grupos filiados fornecendo para supermercados, restaurantes e prefeituras. Crescemos muito e crescemos rápido, o que é motivo de enorme alegria”, afirmou Lucineth Cordeiro, fazendo uma breve retrospectiva da Rede Mandioca.

Os lavradores Bernardo e Domingos, da comunidade Alto Bonito, em São Bernardo, assinaram o termo de recebimento. A comunidade filiada à Rede Mandioca terá uma seladora e uma forrageira doadas pela Cemar, para dinamizar a produção de farinha de mandioca. “Para nós é uma grande felicidade, estamos trabalhando há muitos anos, fazendo reuniões, as pessoas ouvindo e às vezes não acreditando. Mas aqui está, o que estamos recebendo vai nos ajudar a ‘desenrolar’ nossa comercialização. E tenho fé em Deus de que mais pra frente vai sair a casa de forno”, desejou o segundo.

Seu Domingos se refere ao fato de que sua comunidade, contemplada com uma casa de farinha por outro projeto da Cáritas, teve que “dar a vez na fila”, por conta de problemas de regularização fundiária. A comunidade preferiu que outra comunidade fosse beneficiada com a construção da casa de farinha, evitando problemas com o suposto proprietário da área em que vivem as famílias de Alto Bonito.

Representantes da Cáritas, Cemar, grupos e comunidades filiados à Rede Mandioca assistiram ainda ao descerramento de placa que registra a parceria firmada. O secretário executivo da Cáritas no Maranhão Ricarte Almeida Santos recebeu das mãos do gerente de comunicação e marketing da Cemar Carlos Hubert a chave da S10, que será usada para dinamizar a comercialização dos produtos da Rede Mandioca. A primeira missão da caminhonete será levar as seladoras e forrageiras aos grupos e comunidades contemplados.

Composições coletivas, um coral improvisado por integrantes da Rede Mandioca entoou ainda o Rap da Rede Mandioca e numa paródia de Asa Branca [Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira] listaram delícias preparadas tendo a mandioca como principal ingrediente. A programação que se encerrava na última sexta-feira (12) contou ainda com uma oficina, ministrada por dona Antonia Souza, quituteira da Quitanda Rede Mandioca. Durante a manhã, um grupo aprendeu a preparar os mais variados pratos a partir da mandioca. Uma mesa farta foi servida, encerrando dois dias de atividades de formação. Bolos, brigadeiros, coxinhas, croquetes, beijus, pudins, caldos e muito mais foram degustados pelos presentes. Todas as iguarias aprovadas por unanimidade.

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