Evento promovido pela Cáritas valorizou o protagonismo de catadores e catadoras e articulação já existente na região

Catadores e catadoras foram às ruas para dar visibilidade às suas questões

A Cáritas Brasileira Regional Maranhão promoveu, nos últimos dias 7 e 8 de junho, o Seminário  Estadual com Famílias de Catadores de Materiais Recicláveis, por ocasião do Dia Nacional do Catador, comemorado no Brasil em 7 de junho.

Participaram do evento catadores e catadoras de material reciclável, seus familiares, agentes Cáritas e representantes do poder público e da iniciativa privada do município de Imperatriz/MA, que sediou a atividade. Entre os dois dias passaram pelo Clube de Mães de Fátima mais de 50 pessoas, oriundas de diversos municípios do Maranhão – Balsas, Buriticupu, Imperatriz, Lago da Pedra e São Luís; em todos eles, já há iniciativas de atuação da Cáritas com catadores/as. Durante o evento, catadores e catadoras tiveram oportunidade de intercambiar experiências.

Do encontro foram colhidas propostas que serão apresentadas 11 e 12 de junho, durante o Encontro Nacional de Catadores e Catadoras de Material Reciclável, que acontece em Manaus/AM. Também foram apresentadas propostas para inclusão nos planos municipais de gestão de resíduos sólidos, que as prefeituras municipais de todo o Brasil têm até 2014 para elaborar e apresentar.

“Imperatriz foi escolhida para sediar por conta da articulação já presente no município, a partir de projeto desenvolvido pela Cáritas, desde 2008. A associação de catadores é um exemplo de participação, Seu Zezinho [José Ferreira Lima] é uma referência em todo o Maranhão. Se apresenta aqui um olhar diversificado sobre direitos humanos, condições de trabalho, a partir de seus próprios olhares, os próprios catadores se percebendo como sujeitos de direitos para o despertar de uma ação protagônica”, afirmou Cristiane Ribeiro, assessora do projeto Catadores de Direitos, da Cáritas Brasileira Regional Maranhão.

“Outra discussão importante foi a questão do trabalho infantil. O Maranhão ainda tem um alto índice de crianças fazendo o trabalho da catação e suas consequências na vida dessas crianças também foram pautados, apontando para uma mudança de perspectivas, a partir da percepção do trabalho infantil como uma violação, buscando garantir a crianças e adolescentes direitos como educação de qualidade, entre outros”, continua.

O Seminário teve os seguintes painéis e assessores: Resíduos sólidos e catadores: uma questão de políticas públicas e direitos humanos (Ricarte Almeida Santos, sociólogo, secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional Maranhão); Plano Estadual de Gestão de Resíduos Sólidos do Maranhão: oportunidades e desafios para o segmento de catadores (Diana Barreto Costa, doutora em Ciências da Educação, Universidad Del Norte, Uninorte, Assunção); Condições de trabalho dos catadores de materiais recicláveis no Maranhão (Maria Anselma de Sousa, Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Imperatriz – Ascamari); Trabalho infantil: crianças e adolescentes exercendo a atividade de catação (Lissandra Leite, Coordenadora da Agência de Notícias da Infância Matraca); A coleta seletiva solidária como ferramenta de inclusão econômica e social (Juan Alfonso Rodriguez, biólogo, Fórum de Resíduos Sólidos de Imperatriz); e Ascamari: um exemplo de trabalho coletivo e protagônico (José Ferreira Lima, presidente da Ascamari).

Uma manifestação na Praça de Fátima, no Centro de Imperatriz, também marcou as atividades do seminário. “O resultado foi bastante positivo por conseguir dar visibilidade às questões de catadores. Muita gente se interessou, pegou contatos da associação e buscou saber mais sobre o trabalho de catadores e o trabalho de reciclagem realizado na associação”, finalizou Cristiane Ribeiro.

[Vias de Fato, junho/2013]

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