Policiais agrediram moradores da comunidade com balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Mulheres, idosos e crianças estavam presentes em meio ao protesto pacífico.

Elza Tavares (59) protestava desesperada contra a violência policial

Cerca de 100 policiais militares fortemente armados, incluindo membros do Batalhão de Choque, sob o comando do Cel. Jefferson Telles, avançaram ontem (25) à tarde com violência sobre populares da comunidade de Vinhais Velho. Usando bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha, os militares protagonizaram cenas de terror contra os moradores que se encontram acampados num protesto pacífico que já dura mais de 15 dias, próximo a Igreja da Comunidade.

Maria dos Remédios (45) exibe a tristeza no rosto atingido pelo spray de pimenta

A ação resultou em pessoas feridas por balas de borracha, incluindo idosos, além dos efeitos nocivos do gás lacrimogêneo e do spray de pimenta lançados contra os populares. O deputado federal Domingos Dutra (PT/MA), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, teve o carro apreendido e guinchado na ação, sem ser informado do destino dado ao veículo, além de ter sido imobilizado fisicamente pelo efetivo.

“Uma senhora de 69 anos foi derrubada pelos policiais. Eles não quiseram nem saber se tinha mulher, criança, idoso. Partiram pra cima marchando em bloco, armados e lançando as bombas e o spray.

Jerônimo Pereira (58) estava sentado próximo ao tumulto quando foi atingido por balas de borracha

Eu nunca tinha passado por uma situação dessa. Aqui não tem bandidos, não tem ninguém armado, só pessoas que estão lutando pelas suas casas, pelo seu sossego”, lamentou dona Elza Tavares, de 59 anos, moradora antiga da comunidade de Vinhais Velho. Ela acrescenta que “naquela comunidade ela criou seus filhos e está criando seus netos, e que lá nunca houve cenas de violência como essa”. Dona Elza foi informada da investida dos policiais no momento em que estava num consultório médico. Ela protestava juntamente com outras mulheres da comunidade de forma corajosa, junto dos autores da ação.

Outra vítima foi a professora do Departamento de História da UFMA, Antonia Mota, que teve o quadril atingido por uma bala de borracha e exibia, para a imprensa e outras lideranças presentes, as marcas da violência. Os populares recolheram pedaços das balas de borrachas e bombas utilizadas contra os moradores. Após a chegada da imprensa, o efetivo se recolheu e ficou observando a movimentação à distância.Os moradores ainda tentavam acalmar os ânimos, quando um dos carros-pipas utilizados na obra da Via Expressa passou e parou bem no meio da rua onde acontecia o protesto, como a provocar os moradores pela ousadia de bloquear a rua para impedir a passagem dos veículos pesados para a construção da Via Expressa. (Redação: Lena Machado. Edição: Zema Ribeiro)

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