Interdição de principal via do bairro completa 13 dias. Ação policial aconteceu ontem (20) e contou com cerca de 60 homens

Forte aparato policial tentou conter manifestação pacífica no Vinhais Velho

A placa é nova e indica o caminho para o mais antigo núcleo de povoamento de São Luís. Numa rotatória anuncia, à direita, o Vinhais Velho e sua Igreja de São João Batista. É o caminho que faz a reportagem após receber denúncias de abuso de poder por parte de autoridades policiais.

A interdição da principal via do bairro por moradores do Vinhais Velho completava 12 dias ontem (20). A Cáritas Brasileira recebeu a denúncia de que policiais foram ao local com vistas a desfazer o pacífico manifesto contra a destruição de sua comunidade pelas obras da Via Expressa, avenida estadualizada que interligará dois shopping centers na capital maranhense – propagandeada pelo Governo do Estado como um presente pelos 400 anos de São Luís, terá, segundo a mídia oficial, apenas um terço entregue durante as festividades.

Moradores relataram à reportagem que Aparício Bandeira, secretário adjunto de Estado de Infraestrutura chegou ao local acompanhado de um comandante da Polícia Militar e um fortíssimo aparato policial: aproximadamente 10 homens da Força Nacional e algo em torno de 50 policiais militares, distribuídos entre 10 viaturas e em tratores e máquinas da empresa que opera as obras da Via Expressa. “Parecia que a Polícia Militar estava a serviço de uma empresa privada”, denunciou um morador.

Moradores relataram que os policiais alegaram que os mesmos estariam fazendo baderna em via pública. Afirmaram ainda que um engenheiro da empresa teria dado ordens a policiais: “Precisamos dessa via desbloqueada para trabalhar!”, teria dito, incitando os policiais à violência. Segundo informações, um sítio foi alugado na região para dar suporte a este tipo de ação repressora.

“Esse é o presente que a gente ganha no aniversário de 400 anos da cidade”, lamentou outro morador enquanto o repórter olhava para cima, atraído pelo barulho de um helicóptero do Grupo Tático Aéreo (GTA), que sobrevoava o local.

A professora Antonia Mota (História/ UFMA), também moradora da região, resume a via crucis dos habitantes do lugar: “Por meses os moradores suportaram o trânsito intenso das máquinas pesadas passando por dentro de seu território, ameaçando de atropelamento crianças e idosos, destruindo a reserva de mata nativa, o manguezal, aterrando vestígios arqueológicos”.

“A agressão”, continuou, “durou até o dia 9 de julho, quando resolveram erguer barricadas para impedir a destruição do seu patrimônio. O sossego então voltou à Vila e a manifestação seguia ordeira, pois sabemos que temos o direito de protestar contra a destruição de nosso espaço”.

Durante o período em que os moradores se revezaram na vigília, impedindo as máquinas pesadas de circular por dentro da Vila, o Vinhais Velho foi visitado pelo ministro do Turismo Gastão Vieira e pelo secretário de Estado de Infraestrutura Max Barros, que tentaram demover os moradores de sua luta, oferecendo indenizações em dinheiro.

A ação da força policial ontem ganhou rápida repercussão nas redes sociais, com fotos postadas pelos próprios moradores (a exemplo da que ilustra este texto). Ainda na tarde de ontem estiveram presentes no local o deputado federal Domingos Dutra (PT/MA), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, e representantes da Ouvidoria da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania, da Cáritas Brasileira Regional Maranhão e da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos.

A interdição da Rua Grande continua.

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